(Infinito: s. m. O
que a razão humana não pode alcançar.)
_ Meu
nobre cavalheiro, é você?
O “sim”
veio estampado em um sorriso suave e onírico no belo rosto do rapaz ao deixar o
livro escapar por entre os dedos e virar-se para ver sua donzela. A
consequência desse ato foi um forte, aconchegante e longo abraço.
Era o
início de uma tarde aparentemente qualquer, e o jovem a esperava em uma
livraria, enquanto tentava distrair-se com os livros – a escolha do local fora
de bom gosto, e uma sugestão de ambos.
Havia algo
gigante entre eles.
Passaram
toda a tarde dentro daquela livraria. Foi lá que compartilharam seus interesses
comuns, e os que não eram comuns assim tornaram-se. Ele pegou seu livro
predileto, e pediu para lê-lo a ela. Ela aceitou, obviamente. Não havia nada
que ela gostasse mais do que ouvi-lo descrevendo seus livros: as palavras
doces, os sorrisos, o olhar distante e apaixonado. Ela o amava. Tudo nele fazia
com que ela se sentisse bem. Quando se conheceram - em uma situação quase casual
– ela se encantou com sua singularidade. Ele era um rapaz nobre, doce,
inteligente, adorável. Ele era especial, e ela não tardou a notar.
Sentaram-se
em um pequeno banco de madeira envernizado, em um canto da livraria, um de
frente para o outro, e ele iniciou a leitura. As palavras chegavam como um
assobio suave aos ouvidos dela. Lágrimas percorreram seu rosto, constrangidas. Ela
nunca houvera sentido felicidade tão grande, muito menos ele. Sentiam uma
satisfação incomum.
Havia algo
assustadoramente grande entre eles.
Ela tocou
os lábios do seu cavalheiro, e sussurrou:
_ Eu
poderia ouvir-te por toda a vida.
Ele, após
alguns segundos, respondeu:
_ Eu
poderia amar-te até mesmo após a morte.
Realmente
havia algo entre eles. E esse algo não era grande, nem gigante, nem enorme.
Esse algo era amor. E era infinito.