terça-feira, 1 de maio de 2012

infinito


(Infinito: s. m. O que a razão humana não pode alcançar.)

_ Meu nobre cavalheiro, é você?
O “sim” veio estampado em um sorriso suave e onírico no belo rosto do rapaz ao deixar o livro escapar por entre os dedos e virar-se para ver sua donzela. A consequência desse ato foi um forte, aconchegante e longo abraço.
Era o início de uma tarde aparentemente qualquer, e o jovem a esperava em uma livraria, enquanto tentava distrair-se com os livros – a escolha do local fora de bom gosto, e uma sugestão de ambos.
Havia algo gigante entre eles.
Passaram toda a tarde dentro daquela livraria. Foi lá que compartilharam seus interesses comuns, e os que não eram comuns assim tornaram-se. Ele pegou seu livro predileto, e pediu para lê-lo a ela. Ela aceitou, obviamente. Não havia nada que ela gostasse mais do que ouvi-lo descrevendo seus livros: as palavras doces, os sorrisos, o olhar distante e apaixonado. Ela o amava. Tudo nele fazia com que ela se sentisse bem. Quando se conheceram - em uma situação quase casual – ela se encantou com sua singularidade. Ele era um rapaz nobre, doce, inteligente, adorável. Ele era especial, e ela não tardou a notar.
Sentaram-se em um pequeno banco de madeira envernizado, em um canto da livraria, um de frente para o outro, e ele iniciou a leitura. As palavras chegavam como um assobio suave aos ouvidos dela. Lágrimas percorreram seu rosto, constrangidas. Ela nunca houvera sentido felicidade tão grande, muito menos ele. Sentiam uma satisfação incomum.
Havia algo assustadoramente grande entre eles.
Ela tocou os lábios do seu cavalheiro, e sussurrou:
_ Eu poderia ouvir-te por toda a vida.
Ele, após alguns segundos, respondeu:
_ Eu poderia amar-te até mesmo após a morte.
Realmente havia algo entre eles. E esse algo não era grande, nem gigante, nem enorme. Esse algo era amor. E era infinito.