Desperta o sol de seu descanso diário e com ele vem a música consequente de incansáveis elementos naturais que resumem sua existência em rechear o universo de sons.
Tudo o que se conhece é participante da música, e o que não se conhece também. A vida é música. Porém, poucos são os espectadores atentos a esse espetáculo eterno, e uma minoria quase imperceptível equivale àqueles que tentam decifrá-lo. Os instrumentos que o compõe são incontáveis e a variedade sonora é perturbadora. A diversidade torna-o ainda mais atraente.
Em uma madrugada desprovida de peculiaridade, alguém decidiu que viveria para entender o que a música queria dizer. Preparou os ouvidos, educou a imaginação, estocou concentração. Classificou cada instrumento, decifrou cada acorde, apreciou cada melodia. Encantou-se com a harmonia, sentiu-se parte da música. Tão familiarizado tornou-se com os sons que logo já era capaz de individualizá-los e criar sua própria melodia a partir do que seu censo harmônico lhe havia ensinado.
Foi então que, em um dia de céu claro e acolhedor, o alguém descobriu o acústico. Combinou melodicamente os timbres e percebeu algo muito além do que lhe ocorrera imaginar. Curiosamente, isso se deu em ocasião de devaneios, a única coisa capaz de dividir a atenção do alguém com a música. Creio que foram eles os principais responsáveis pela descoberta, visto que, no dia em questão, eles tratavam de assuntos significativamente sonoros.
O alguém descobriu no acústico a identidade da suavidade, a origem de todo o resto, a combinação perfeita de toda a espécie de som: encontrou-se.