Uma tarde comum de outono. O Sol brilha lindamente em um céu cinza.
Na área pobre da cidade, criança suja brinca de bola na rua. Sorriso estampado em um rosto abatido pela fome. Estômago roncando. Coração acelerado. Alegria.
Na área rica, garoto mimado joga controle de videogame na parede, reclamando de não ter o jogo que queria. Lágrimas escorrendo em rosto saudável. Estômago cheio. Coração lento. Tristeza.
Mamãe convida para o jantar.
Meu pobre menino se despede dos amigos e entra saltitante em casa. Na mesa, um prato de sopa de legumes o espera. Ele devora-o. Beija a mãe no rosto. “Eu te amo. E obrigado pelo jantar, estava ótimo”.
O pequeno mimado desce as escadas, e em passos rasos, encontra a família sentada na mesa. Mesa farta. Come um pouco de nada. Sempre com o pescoço curvado. Sequer ergue os olhos quando o pai lhe pergunta como foi seu dia. “Normal”.
Anoitece.
A criança antes suja, agora tomou um rápido banho, mas o suficiente para se limpar. Veste o pijama rasgado e deita-se na cama magra. Fecha os olhos e dorme quase que instantaneamente. Sono tranquilo.
Banho demorado na banheira do próprio quarto. Cama de casal, enorme. Olhos esbugalhados. Vencido pelo cansaço, finalmente dorme. Sono inquieto.
O Sol nasceu igual para ambos. Um soube apreciar. O outro? O outro sequer notou-o.
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