Céu azul-petróleo. Estonteante. O ponteiro do relógio pendurado na parede da sala de estar da casa mais próxima está passando por momentos difíceis: Não sabe se casa-se com senhorita Sete, ou se foge com uma rapariga de nome Seis. Ele isolou-se entre elas para chorar. Pobrezinho. Não vamos perturbá-lo.
Está vendo aquela moça? Céus, de onde haverá surgido tão doce beleza? Como não pode vê-la? Procure direito. Não é tão difícil notá-la. Veja! Veja aquela pele clara, tão clara que aparenta brilhar. Olhe esses fios caramelo caindo sobre seus ombros largos cobertos por uma lã cinza. Uma lã cinza extremamente bem costurada, aliás. Só pode ter sido feita à mão, exclusivamente para ela. Afinal, lhe cai tão bem, não é mesmo? Que olhos magníficos. Não são verdes, nem azuis, mas se fossem, não seriam tão belos quanto essas duas estrelas vermelhas estampadas nesse rosto delicado.
Não me diga que ainda não a vê? Mas como pode ser possível? Ela está se virando. Sim, moça, vire-se! Deixe-me ver com mais clareza teu rosto! O que está havendo? Isso são lágrimas? Minha moça está chorando? Oh, não! Não chore!
Assim, de perto, ela é tão bela quanto imaginei ser. Já se acalmou. Até sorri por entre os lábios. Um sorriso adorável. Um sorriso hipnótico. Um sorriso malicioso. Um sorriso assustador. Não, espere, agora não se parece mais um sorriso. Agora ela não se parece mais com a minha doce e bela donzela, aquela que avistei há alguns minutos. Deve ter se entristecido novamente. Mas sua feição não é a de alguém triste. É quase assustadora. Assustadoramente bela. Sim, sua beleza parece estar retornando. Porém, não é mais prazerosa de observar. Há algo errado. Por que está me olhando dessa forma, senhorita? Sente-se bem? Espere! Está tentando me sufocar? Por quê? Fiz algo que lhe desagradou? Se fiz, diga-me. Pare! Solte-me, por favor! Não consigo respirar.
_ Adeus, tolo! Ah, desculpe-me, não me apresentei. Chamo-me Ilusão, mas costumam referir-se a mim como Paixão.
_ Sim, sim! Agora posso vê-la! É realmente bela. Mas está chorando. O que houve, senhorita?
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